Hoje, a minha vontade de escrever é proporcional ao meu sono. Enormes, ambos. Teria que estar adiantando um monte de trabalho, estudando ou mesmo desacumulando o cansaço de dias, mas não. Vim aqui para justificar uma das razões da existência desse blog: cano de escape.
Passei o dia pensando em como o tempo está passando rápido e na quantidade de coisas que está acontecendo ao mesmo tempo em minha vida. Constatei que eu, de fato, envelheci e isso foi resultado da entropia de experiências e acontecimentos nesses últimos dois anos. Agora que eu olho para atrás e analiso um pouco mais imparcial e friamente, posso dizer, sem medo, que eu sou uma pessoa que respira amor. Amo e demando amor em excesso. E foi sobre isso que meus pensamento do dia giraram em torno.
Dos (des)amores que eu carrego, veio junto uma constelação de lições, ensinamentos e analogias. Disso, falo especificamente que tenho uma ferida aberta que arde e lateja de acordo com as luas e me impede, até que seja devidamente fechada, de me expor a quaisquer afetos. Mês passado até rascunhei uma paixonite, o resultado: um fim selado com uma conversa franca, de tão franca que doeu no coitado: “isso que você viu sou eu tentando exorcizar ele e amenizar minhas carências”. Noutra época da minha vida, daria uma desculpa qualquer, um “não tou pronta”, mas não. Depois da agonia e grandiosidade que passei nas terras gélidas do hemisfério norte, fiquei fadada a ser intensa, verdadeira e sentimentalmente prolixa. Esse amor todo ainda existe e duvido que morra tão cedo e arrisco: vai comigo pro túmulo.
Me tornei, porém, uma pessoa conformada e que vive bem com o conformismo.
Sei que é um sentimento estéril, mas perene, não posso amputar meu coração. Deixo ele quieto, palpitando e as vezes quase parando, mas convicta: se não volta, quero um igual. Isso. Ou melhor, quase igual. Não vou mentir, foi tão imensamente bom, que quero de novo e que dure mais, só não quero a parte do coração doente e cheio de fardos. Quero peito aberto e cheio de vontade, livre de amarras do passado.
Antes de mais nada, quero ter certeza que o tempo me ensinou a enxergar minha história de forma honesta e entender que os sentidos da palavra esperança se estendem a outros sorrisos.