Depois de ter perdido um ano da história do Coquetel, tenho que admitir que fiquei bem impressionada com as dimensões que o festival tomou. Soube que já em 2008, já tinha ficado bastante reconhecido e consagrado, mas ter visto o teatro dos guararapes completamente lotado foi deveras emocionante. Digo no sentido de que agora sim Recife tem grandes probabilidades de estar na rota das bandas que vêm tocar no Brasil. Tem público.
No primeiro dia, eu perdi os pockets shows. Fiquei puta, mas hoje eu vi those dancing days – o melhor dos pockets -, na gravação do Sopa.
Dos shows principais, Beirut foi o mais lindo de se ver. Não sou fanzoca da banda, mas fizeram a festa cigana em cima daquele palco. Foi um show animado e simpático, que sempre é uma grande vantagem. No entanto, com um setlist meio esquesito, repetiu uns sucessos e relativamente curto, seria mais legal se tivessem coberto o The Flying Club Cup melhor. No resto, uma simpatia só, banda ensaiou umas frases de efeito em português e arrasou com a versão de garota de Ipanema… maaaas… venhamos e convenhamos, com aqueles metais, bastava eles mandarem um “panramramramramram” (frevinho), que a pernambucanada ia à loucura.
O ma-lu-co do Sebastian Tellier arrasou também, rastejando pelo chão e dando pulinhos frenéticos. Gostei de ter ouvido francês falando inglês. kind of sexy. Porém, setlist pequeno também.
No segundo dia, já comecei feliz vendo Zombie Zombie nos pockets. Que show, viu. Num espacinho pequeno, não muito lotado, fizeram esses indies mexerem as cadeiras. Eu tava meio de saco cheio dessa pegada eletrônica, mas gostei da linha pesada deles. Equipamento feijão com arroz + carisma + talento. Pronto.
Lonely Dear consagrou minha indie-meninisse. Aquilo, sabe? Voz suave, experimentalismos fofos, vibe européia e um nerd barbudo me conquistando. Na maioria das vezes, pra mim, sempre dá certo, e agora que tô na abstinência de shows assim, caiu super bem. O problema é que ficou muito com cara de aquecimento para Lô e Milton, o teatro já cheio do público deles, a maioria nem sabia o que tava rolando. Meh. Por natureza, o estilo já tem uma falta de brilho, assim ficou ainda mais ofuscado. Mesmo assim, no fim, o show acabou sendo bem digno.
E toda essa expectativa resultou num show razoável. Foi emocionante, claro, pelo “aspecto histórico-musical” da coisa, retomaram muitas canções do Clube da Esquina e tal. Mas a impressão que passou, foi que Lô tava morrendo de sono e tinha fobia de palco, tava meio gago… Milton só participou de umas quatro músicas e ainda assim, ele tava meio perdido também. Foi um show OK, mas que não atendeu as expectativas.
Tirando a variável principal- música- , o festival trouxe tanta coisa boa… propiciou várias formas de arte e gostos diferentes se agregarem sem barreira cultural alguma.
Esperar ano que vem…
*Para onde vão todos aqueles nerds-indies fofos em todo resto do ano, hein?